Por que a razão não faz sentido?
Enquanto escrevo suplico
que se finde esse suplício
Desajeitada tento imendar a razão
sem sucesso
continuo a projetar o indevido
e proclamar a inexatidão
Questiono em mim cada sussurrar
e em cada suspirar me indago.
Razão indesejada que não se afasta
e que em verdade não quero que se afaste
escrevo meus segredos,
descrevendo minhas aflições,
repelindo meus desejos,
resgatando lembranças.
Troco sonhos por beijos
como quem troca figurinhas
coleciono incertezas
e colo todas no álbum do desconhecido,
do inesperado e impróprio, inquestionável
busco tudo e nada alcanço
e no insucesso da incapacidade de extrair
retenho com muita força
e desprovida de medo e desmedida me dôo.
Não alcanço o infinito e não o busco,
talvez queira somente o impossível ou improvável.
Cabe a ti dizer o destino de tão vãs palavras.