quarta-feira, outubro 15, 2008

Quando o coração aperta,
o suspiro não se evita,
o medo compromete
e a dor suprime.
Tenho estado num estado
catastrófico de dor.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Opções e escolhas

Quiçá não encontremos na língua
as antonomásias que nos definam.
Até nas figuras de linguagem, os vícios,
Encontro nas palavras o berço do mundo.
Nas metáforas novo significado,
por todas as antíteses,
em todas as suas contradições.
Nas metonímias a suavidade de novas proposições,
seguida numa sinestesia de invasão e retomada,
onde nosso corpo transborda luz.
Todo erro e acerto,
culpa e arrependimento
a pseudo timidez
corando a maçã do rosto
inserindo a catacrese.
São tantas antíteses num único ser.
Tantas apóstrofes de súplicas,
tantas hipérboles de ser,
numa ambiguidade infinita,
deveras complexa e singular,
Repulsa sobre os eufemismos,
recobrindo os atos falhos.
Tantas são as figuras e tantas ainda faltam
a integrar esse contexto
que melhor seria não usá-las.
Os receios da mesmice,
sem convicções,
as incertezas, o futuro,
incerteza de tudo no mundo,
porque na realidade.
Queixas são como dejetos,
extraídos de nós frequentemente.
Olvidando-se da correção de si.
numa peculiaridade absurda.
Somos detalhadamente formados,
pensamento e produção contínuos.
Somos dor e desejo.
Híbridos por conjuntura,
em busca de redenção.
Doesto a carne...
Admoesto o corpo,
relutando sempre!
Em busca de sapiência e consciência!
Vulgaridades obsoletas,
trevas tragando a luz,
até quando a luz deixar,
Portar-se bem, configurar-se,
adaptabilidade em pauta.
Posicionamento em baixa.
Seres, humanos?
Indivíduos errantes,
por características individualistas.
Nós?
Uma extensão dessa natureza,
também defeituosos com foco
no que é perfeito.
Caixa composta de fragmentos,
lotada de simbolismos,
libertando-se de velhos hábitos e costumes.
Eternamente construídos,
moldados para edificação contínua,
nossa e alheia.
Constante compreensão.
Cada passo, novo circuito.
Erro, acerto, foco.
Erguido e fortalecido a cada queda.
Pronto para outra tentativa.
Tradução do que quer ser,
novas expectativas surgem,
urgindo, tempo contra.
Olhos vendados... vendas caem.
corpos algemados, agrilhoados,
gritantes, brasas flamejantes.
Liberta! Espera sem razão...
Cabe a nós! Acordar,
abrir os olhos, corrigir os erros,
o tempo é curto,
a eternidade finita para quem fica.
Opções, opções...
liberdade de convenções,
princípios distorcidos,
corpos sedentos, redimidos...
cabe a nós. Esperar?
Só uma das opções.
A certa?
Invariavelmente incorreta.
cabe a nós, decidir,
cabe a nós agir,
Quando?
Nos cabe dizer...

quinta-feira, outubro 09, 2008

Meta e Preço

Somos seres invisíveis,
nesse mundo desconexo,
desprovido de caridade.
Complexo, côncavo e convexo.
Ambivalente e ambíguo.
Recobertos por uma melancolia funesta;
somos proveito,
fruto do âmago do mundo,
por alcunha somos tidos iguais,
não somos.
Fixados numa Meta nos tangenciamos.
Somos por natureza mutantes,
seres cambiantes tragados na inércia,
trazidos do limbo ao restauro.
Capsulados oblíquos.
Sóbria conexão.
O organizado é falho,
o atento distração.
Humanos erroneos vagantes,
ironicamente satirizando seus próprios anseios.
Eterna contradição.
Só alguns passos adiante
pegadas criam luz,
curam cicatrizes delirantes,
alucinadas.
Sombrio, medo lúgubre,
divina abstração.
Solução contida no etéreo,
vago, sandio e desvairado.
Simples assim.
Por natureza resíduo.
Seres além do nada,
em busca de sentido.
Sensações putrefatas,
a esmo sem vazão.
Lembrete do caminho,
mais rígido, menos daninho;
extravagante diferença,
a luz, o puro,
a Alva solução.
Quantos ãos serão necessários
até que o tempo finde?
O relógio acelera,
o cronômetro se distancia.
Vai e não volta, vai e volta;
espera, pára, prossegue.
Não se controla o tempo.
Tempos distintos
um ano, um dia,
TEMPO... mil anos.
Indomável, frenético,
sempre inaugural de novos tempos.
Vontades, lembranças, escolhas,
retornos inesgotáveis
até que o último se aproxima.
Não se pode alcançar
o que não se busca.
Não se pode almejar,
o que não se conhece.
Só se pode caminhar e conhecer
quando não está escuro.
Resmungar e aprofundar,
quando caminhos se cruzam;
interpelam e mudam.
Quando a realidade é perder
todo resquício de razão que se conhece.
E deixar para trás todos os vestígios
que se estabelecem.
Transformando o anátema,
por alto preço pago,
cuja dor se desconhece.
Não são devaneios sem causa.
Não é perda da noção;
mas um novo caminho,
ao encontrar uma nova ação.
O que somos senão fruto?
Quem senão criação?
Busco o santo e o eterno,
que a onisciência, onipotência e onipresença,
tradutoras do Divino,
demonstrem a misericórdia da minha indignidade.
O flagra, o gesto, a gota;
o sim e o não.
Até que findar não signifique
fim de fato,
mas uma hipérbole de continuação.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Consolador, Santo Redentor!

Estupor dos meus causos;
incongruências das
minhas necessidades,
improfícuo e incólume!
Torpe razão vazia,
emocional se eleva,
a dor domina.
Não tem razão de ser,
não faz sentido!
Embora também
não haja razão em sentir,
isso é quase uma lição morfológica,
pois sem amor eu nada seria!
Sei que não me enquadro,
no perfil desgraçado em questão,
sei que a Graça me basta,
sei que a razão é tola,
sei que a loucura dos santos
é sabedoria.
Só não sei,
como saber tanto,
crer tanto,
amar tanto,
e ainda conseguir
espaço pra dor.
Só não sei como.
E então,
alimentando-me do espírito,
suporto mais uma milha,
guardo mais um pouco
o meu sofrimento.
Posso caminhar
por mais alguns instantes.
Ainda que meus pés
sintam-se em brasa
e não possa mais tocar o chão.
Ainda que meu corpo
não flutue.
Ainda que meus orgãos
resvalem pelas sombras
e desfaleçam,
que a minha pele,
rompa-se ainda em mim
e o sangue respingue.
Não há lirismo nisso,
nem lascívia.
Não há sonho,
nem perversão.
Há amor e disposição,
ainda que a dor faça
minar a força.
O Consolador
traz a paz, ainda que
as lágrimas escorram.
Traz amor ainda que
o ainda que permaneça.
E ainda que nada possa ser
como quiséssemos que fosse,
mais um passo,
mais adiante,
mais uma vez;
ainda quê!

Limite

De repente me sopra uma tristeza, uma angústia
a saudade habita meu peito, a inconstância é insuportável.
A mágoa apenas tolerável e o amor maior do mundo!
Me culpo por tantos erros ao longo de minha vida,
mas quanto ao sentimento sinto-me em paz;
tenho tentado mais do que a vontade aguenta,
esperado mais do que a razão suporta,
chegado ao limite entre sabedoria e sandisse;
a espera de redenção e misericórdia!
E nesse meio novelo todo enrolado,
suplico perdão e redenção.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Sou?

Como é duro pensarmos nas tristezas que causamos a nós mesmos,
como nossos erros podem ser eternos, mesmo que nossa vida não seja.
Ah! Se eu soubesse que pequenos caprichos podiam render tanto dor
nunca os teria tido.
Vontade de ser independente,
de ser a si mesma independente das opiniões, isso vale tão pouco
hoje compreendo mais a frase, mais vale ser feliz do que ter razão
quisera estar completamente errada e aceitar algumas coisas,
quisera saber ouvir e obedecer em certos pontos, a tempo.
Quisera ter sido, para ser feliz, mais como agrada aos outros...
Essas saudades vem tão profundas que a dor já nem faz diferença
O Consolador ajuda, a dor suprime, a saudade permanece
até quando Ele quiser.