sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Amizade é um amor que não acaba

Será que a amizade pode ser algo tão ruim?
Pq os sentidos desatinam ao pensar nessa possibilidade?
Se essa é a única possibilidade plausível?
Se é a única possibilidade possível?
Qria tornar a ser o que um dia fora...
não dos erros cometidos,
mas dos acertos incontidos
que nunca foram vistos...
Não quero refazer,
espero apenas recomeçar,
não um começo como o antigo,
mas um começo novinho em folha!
Sem sentimentalismos
ou incógnitos mundinhos individuais,
sem relacionamentos carnais...
mas como incomoda não ter nada...
como escrevi um dia,
seria utópico demais o fim antes do início,
mas o fim de nada é ainda pior.

Sejamos então como ainda não fomos.
Sejamos sem ser, sem sentidos doridos.
Sejamos sem mágoa, sem lembranças e sem resquícios.
Sejamos somente, por que hj nada somos.

Nada além de uma tentativa bucólica e banal
de ser novamente o que não se foi um dia.
Seria possível?
como diz o poeta:
qm quer passar além do borjador
tem que passar além da dor.
Suporto não suportar só,
pois só já não estou.
Descobri realmente e tenho descoberto a cada dia
que Algo; não. Alguém
é mais importante infinitamente
que alguém ou que ninguém.
Uma odisséia.
Nos traços parnasianos que não me cabem.
Sei que errei tanto, aprontei tanto,
mas já chorei tanto,
que mágoas teriam submergido.
As minhas já vieram e voltaram tantas vezes.
E, em tantas já naufragaram.
Não importa a distância.
Mesmo que distante,
se se sente um ruborizar na face,
um estremecer das extremidades,
que perfídia tão cruel eu sinto a cada dia,
sem mais nada poder fazer, ou questionar.
Entretanto, aleivosia ou deslealdade,
o nome que se dê tanto faz...
quando se sente não importa se faz par,
a dupla não necessita entrelaçar
para saber que sente junto.
Pois embora outros beijos e outros desejos
já percorreram por teu corpo
o sentimento que fala por teu gosto,
aloja em ti meu abrigo,
mas ainda que não queira,
ainda que não sinta,
sempre há tempo de recomeçar,
infinitas vezes, de formas diferentes.
Amigo. Amizade é um amor que não acaba.
Me disponho,me encasulo, aceito.
Esqueço e peço Àquele,
que somente cuide desse ser,
que se enxerga tão auto-suficiente
nesse mundo fora da Tua casa.
Cuida pra que não caia,
cuida pra que Renove o Teu Espírito
a cada manhã q resplandece.
Pois a certeza que me rodeia,
é que a Tua misericórdia sempre prevalece.

Colcha de não retalhos

Não quero publicar minha vida,
mas relatos de espaços quadrados,
de retalhos que possam ser costurados.

Não adianta ter por base a perfeição,
se nela a teoria reina, mas a verdade inexiste.
Não adianta querer abarcar o mundo todo,
se nem as próprias redondezas alcança.

Não basta margear o impenetrável,
tem que se buscar uma fenda.
Não cabe alfinetar uma emenda,
se os remendos não seguram.

Não se toca a alfaia sem conhecer o ritmo,
não se bate no compasso cadenciado sem querer.
Não se marca com um tic o erro,
nem se ensina a errar.

Somos errantes naturais,
pecadores de nascimento.
Somos insignificantes incógnitos,
diante da dimensão do Todo!

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Lugar é nenhum se não é o lugar correto

Me coloco na brecha, como flecha que desafia o mal
Me coloco como alvo para que não sejas atingido,
sofro por consequência de atos impensados, mas
não quero que passe por isso. Não mais.
Não me importa se seu destino cruza o meu, na verdade
a verdade importa a mim, mas não cabe descrevê-la,
não mais...
Sou flecha que cega a seta, que rompe o lacre
que não vacila mesmo que tenha uma curva que amedronta.
Os caminhos já estão traçados, as criações originadas,
as vontades desvendadas e a carne, sempre maculada.
Imaculada deve se manter, da dor se proteger,
romper a mágoa e superar a marca.
Desatino do destino sabe Deus quem sabe mais!?
Parecem doces, mas doem, as manchas cegam
deturpam a visão e não acertam.
O doce fica azedo e a marca permanente.
Só a Tua alvura para que o gosto seja de fato,
e não um gosto suposto. Me ajuda a ajudar,
a enxegar o caminho, o lugar...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Não se compra sentimento na banca da esquina

Ninguém sai por aí procurando a pessoa certa na loteria, alguns até tentam nos folhetins e anúncios dos jornais, procurando encontrar o que se quer sem procurar um todo.
Ninguém procura defeitos, mas eles tem que vir na bagagem, por que não há um ser perfeito, mas as falhas aperfeiçoam as pessoas.
Só quero buscar Aquele que pode me ajudar de verdade e ficar distante dos corações humanos que são confusos e enganosos...

Resquício de um pensamento...

Porque será que algumas sensações se manifestam de forma tão inusitada que mal conseguimos supor?
É estranho ao organismo a reação para ações constrangedoras...
Achar mesmo sem fazer, questionar mesmo sem ter, incomodar mesmo sem ser.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

As reações são prosas loucas!

São crônicas? São Mentiras? São fatos?
Que realidade brutal assola de tal forma?
Porque o medo as vezes vem sem avisar?
A insegurança descarta possibilidades
mesmo que o sentido seja o oposto?
Desgosto do afeto, descaso de um agosto,
agouro? Má fé? Mau gosto?
Desdobramentos de um contato tardio,
de um peso sombrio, que afeta!
Não ser mais o que era...
Não saber como chegou a ser,
não ser nada senão uma descoberta.
Uma constante alvura diante da lascívia.
Consciência contígua e congruente.
Que vontade de tê-la por perto,
que vaidade? Que luxo!
Saudade apertada e
abraços consistentes,
nesses devaneios utópicos
de melancolia sanguínea.
Temperamentos vazios
desses coléricos explosivos
e fleumáticos contidos.
Como são extremistas tais temperamentos.
Qual sentido?
Vontade? Desejo?
Acerto? Despejo de sentidos...
e de reações.
Que se manifestam sem cessar.

Crônicas do Amor

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário oshonestos, simpáticos e não fumantes teriam umafila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado em fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiroamor acontece por empatia, por magnetismo, porconjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã doCaetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pelapaz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidadeque se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante.Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores queela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela temalergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta oAno Novo, nem no ódio vocês combinam.Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, obeijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e elaadoraimplicar com você.Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste oprimeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nosempregos, estásempre duro, e é meio galinha.Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você nãoconsegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele tocagaita na boca, adora animais e escreve poemas.Por que você ama este cara?Não pergunte pra mim.Você é inteligente. Lê livros,revistas,jornais. Gosta dos filmes dosirmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia românticatambém tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial dexampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar.Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, demúsica, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.Como um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas umaequação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta aoSPC.Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas ebons pais de família, ta assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!Pense nisso". Arnaldo Jabor