sexta-feira, setembro 25, 2009

Mentiras que o mundo conta...

Que o mundo acabe!
Que o barranco desabe,
que todas as desavenças se dêem,
que todo ódio culmine em guerra,
que toda a fé termine em sangue,
que todo receio se torne mágoa!
Quero que toda a devassidão se instale,
que toda perversidade se anule em questionar,
que todo labirinto deixe o errado resultar.
As opções, as escolhas, os planos; deixa o inimigo tramar.
Sente o frio na espinha, o gelo na barriga, mas insiste em refutar.
Sandio, saindo intacto, profícuo do que não há...
verbos calando fatos, verdades que não se vêem.
Quero que a lascívia habite,
quero ouvir o mentiroso recitar.
Marcas ditas, ditadas, repetidas.
Quem pode reclamar?
Quando seguimos essa cartilha,
nem podemos mudar os ditados,
nem enxergar os erros,
a menos que queiramos mudar.
Mentiras então não serão atos impensados.
Serão consciências funéreas de um indivíduo que não quer mais ser.
Verdades desconhecidas, nas bocas dos tolos,
calam aos que suscitam em desespero.
Rodeia-nos com uma brutalidade abrupta e tenta nos corromper.
Tenho tédio, tenho raiva, mas já não tenho mais medo.
Não, não sou um super herói (ou heroína),
Não me alucina as verdades que destroem.
Por isso não tenho mais medo.
O mundo conta mentiras, mas vou contar um segredo:
o mundo que mente não é o mundo ao qual pertenço.
E, desse mundinho infame quero repulsa e distância,
embora mergulhe a fundo por vezes
pra tentar drenar a água em pontos específicos.
Pra tentar puxar aqueles que não querem as travas.
Pr'aqueles que querem enxergar que essas "verdades" não valem.
Pra esses tenho outro porvir, outro sustento.
Não eu, pois não aguento, mas o lamento dos que clamam
súplicas inexoráveis, sem perdão.
E, buscam viéses de uma conexão exata.
À esses indico a razão rara da incompreensão: Fé!
E essa verdade vale. O resto são só...
... mentiras que o mundo conta!

quinta-feira, setembro 24, 2009

Depois da tempestade a calmaria

A vontade de rir,
o medo de ir, o receio de olhar,
as surpresas e os hábitos.
As novidades e coisas comuns.
Me sinto boba hoje!
Mas livre como há tempos não sentia...
Numa impetuosidade de loucura saudável.
Um furor me torna a face rubra e
a leveza de saber que entendi o tempo...
Esse velho louco que vive pregando peças.
E é tão simples entendê-lo!
Como o cisco não deixava ver a trave.
Caiu a trave e saiu o cisco.
Ficou o anseio pelo porvir e o receio de não buscar certo!
Sou, estou, busco.
A mais pura razão de existir.
E sorrio como não lembrava sorrir,
durante longo período...
Males por vezes fazem bem, eu espero.
Porque sei que de onde vem só pode ser o melhor...
e me tranquilizo.
Não busco mais certas coisas,
encontrei nas raízes fincadas a terra
toda nutrição que preciso e a dor já não me consome.
Resta um rosto amainado e paz. Obrigado!

quarta-feira, setembro 23, 2009

O que ficou pra trás... PASSOU!

Embargada eh como permaneço.
Esqueço do instinto, extinto,
esqueço.
Tudo travado, luta sorrateiramente, perdida.
Desisti de sonhar,
meus sonhos ficaram encavalados no passado
com as besteiras que escavei.
Cavuquei os entornos, que jornada impensada!
Novos sonhos virão, mas aprendi a deixar o passado aonde está.
Ainda mais, quando ele machuca tanto...
quando se tenta voltar.
Não quero mais lembrar do que passou.
Sinto raiva do néscio que se tornou. Opróbrio de si próprio.
Que triste! Que triste!
Desmistificado o sonho tornou-se mágoa!
Marca sem volta! Ignóbil! Imbecil!
Falta a realidade fria pra saber o que é mau?
Ou sobra ignorância?
Avesso de sentimento, avesso de sentimento!
Natureza surda e insensatez torpe!
Marcas não mudam, mas Aquele pode!
Pode apagar, pode fazer melhorar o que era bom e tornou-se mau.
Passou-me uma brisa e me fez entender que
mais que olhar pra trás, olhar adiante é o que move
os caminhos para a direção certa...

segunda-feira, agosto 24, 2009

Medo da impotência, luminescência sonhada.

O que acontece com batimentos desconexos ao restante do corpo?
fraudulentos os instintos entorpecem a racionalidade,
banalidade tão singela que confunde o aldeão.
Dentre os feudos a ausência de escolha,
por entre os ossos, articulações falhas.
Aonde andam os músculos, agindo desvairadamente?
orgãos, veias, artérias...
jorram, brotam, minam...
como uma bomba relógio, disparam.
Sangue, refluxo, bombeamento acelerado.
Palpitaçõessssssssss
Ufa!
Sonhos não voam, saltam e machucam.
Espancam nossos corpos languidos.
Indefesos corpos. Que não se podem despertar.
E, impotentes respondem com desespero,
e surpresa, e medo...

sábado, agosto 22, 2009

Porfiar e perder

Lúgubre,
fúnebre fuga da insatisfação.
Aquieta a sobriedade inata.
Inquietante tormenta nefasta.
Sobreveio sobre as cortinas a luz,
da escuridão os tropeços de um caminho.
Arremedo de situação mal consumada.
Quão insustentável é a leveza do sentido?
Parece não haver rancor, mas há.
Parece não haver dor, mas dói.
Parece não padecer desse saudosismo inútil... mas padece.
A futilidade se estabelece no limite. Limitrófe, fim de linha.
Acontece.
Retomada a sensatez, rios me saem dos olhos,
entoam clamores desnecessários...
Erros, acertos, tudo tão tênue na linha da perdição.
Clamores não são necessários? Qual perfídia destina tal ação?
Só Deus ouvirá essa prece. Cabe ao Pai julgar.
Só Ele perdoará meus desconsertos. Qual mortal é menos pecador?
Não se medem os pecados, não há distinção neles... pecado é pecado. E ponto.
O olhar condena, a língua mata. Ações celebram desavenças,
e o mais?
Sobram as rebarbas porfiadas de uma batalha perdida.
E a misecórdia nascida de mais um alvorecer.
Aurora traz a rubrosidade impercebida,
a alva manhã mal resolvida, numa solução que não nos cabe.
Impercepção da solução, num resolver sem nossas mãos.
Influências desfeitas, acusações insuspeitas, futricar fatigante
de firulas maldizentes.
Solstício insólito de razão?
Onde andará a plenitude?
Por qual razão oras contemplo, oras não?
Desafeto. Decepção. Razão mal resolvida de um adeus não dito.
Porfiar e perder. Eis o lema do que se esconde.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Verdades que o tempo fala...

Sopro ressoa, oco recorrente,
repetição do agouro,
estouro, turbilhão.
Alfinetes furam sem sangrar,
pois já não permitem que o buraco permaneça...
no entanto, quando a ponta é retirada
e o escárnio consumado,
jorra vida. Pois a morte não habita.
Semente derrubada sobre o solo,
cresce sem opção, a menos que dele seja arrancada.
Tira o alfinete e arranca a semente ruim.
Espeta novamente pra ver o que sai de bom...
Banquete, âmago, amargo,
absinto, humor extinto, inexorável,
imensurável fluidez. Inegualável fruição,
o talvez já não basta, o será,
já não existe. O nada é o mais plausível.
Agora, o tempo pára.

terça-feira, agosto 18, 2009

Um distúrbio

A compulsão reflete a escala de insuficiência neural.
Os ossos retribuem como insignia ao peso dado em prêmio,
tão vãos são os reflexos quanto a obsessão.
Tão insoluto é o compulsivo quanto o azeite em água,
é a resultante dessa inequação.
Não se pode proteger ao que não possui,
não se pode esconder em segurança.
Nada há que faça o anátema que não seja néscio.
Fixação, corrente, torrente impetuosa.
Sóbrio resgate do insensato, são e aprazível vigiado.
Sangue, vertente incomum,
sangue, rubro flutuante
Fuga sensata do inexorável.
Palavras... não resolvem nada.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Vida Besta!!!

Quando chegamos ao limite da tolerância?
Quando sabemos a hora do fim?
Como pressupor tudo o que incomoda?
O caos traz a essência do início,
o vislumbre da intenção,
anda por onde a ordem desanda!
Chega de resquícios para mim!
Chega de porques mal resolvidos,
a hora finda mais uma vez e eu torno a repensar.
Medooooooooo!!!!
Tenho medo de errar;
medo de regredir,
ou progredir demais sob certos aspectos.
Tenho um instinto falho e um tanto néscio,
umas vontades torpes, e me nego.
Me nego a adiantar as faltas,
me nego em prolongar as aflições,
me nego ao buscar as negações;
mas me nego por fim a ser a mesma de ontem!
O dia nasceu. E sorriu! Palmas ele nasce outra vez!!!
Ainda que estejamos enclausurados em nosso complexo interior,
ainda que possamos não refletir nossos anseios,
ainda que nos reprogramemos em todos os momentos,
o cálculo sempre sai errado no que tange ao entendimento.
Não há equação matemática que resolva a vida!
E aí digo: Eta vida bestaaaaaaaa meu Deus!!!

segunda-feira, junho 08, 2009

Onde estão os sonhos?

Sou uma menina boba e cheia de sonhos.
Mas espere! Já não sou tão menina, e nem tão boba...
Então porque os sonhos continuam alí?
Guardadinhos nos cantos e nos propósitos egoístas que insisti em manter?
Minhas vontades não são minhas e o que qro não tenho,
aonde ficam os sonhos nessa razão louca então?
Voando como o título do blog? Perdidos numa atônita compreensão vazia?
Nem sei o que querer, nem o que sonhar,
pq já não quero depender em nada de mim...
Mas não quer dizer que não possa fazer nada,
afinal, agir é algo vital, mas o que fazer, e segundo os meus moldes
Ah... isso não quero querer...

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Que vontade de Gritar!!!

Não sei o que se passa! Uma vontade de gritar me vem a tona.
Me toma, me torna irratada e irritante!
Sei que é naturalmente uma característica feminina, mas tem que ser tão assim, assim?
Mulheres são carentes, estressadas, falam demais, se incomodam com tudo, precisam infindavelmente de atenção e esquecem que nem sempre as pessoas sabem disso.
Tento ser um pouco menos menina nesse sentido,
mas as vezes me parece tão impossível.
Tento não querer chorar qndo as pessoas choram,
mas até nos filmes me derreto.
Tento não observar como me tratam,
mas as diferenças são tão evidentes que meu estômago borbulha.
Tento não ter vontade de gritar e fazer umas loucuras,
mas por vezes o impossível me bate à porta.
Qria então tentar outros impossíveis transformar em palpáveis.
Qria transbordar em sorrisos e esquecer a vagareza
com que o tempo tende a agir.
Tempo mundo, mundo tempo...
Qro transformar meu entendimento em paciência.
Em verdade, em vontade de ser quem não sou.
Não sei ser sempre certa,
não sei brincar de marionete,
quero burlar as regras do jogo e não posso mais jogar.
As cartas marcadas foram jogadas fora e tenho medo de arriscar.
Sou fraca, mas agora estou forte.
Pq dependo não mais de mim...
Me dá umas inconsistências, mas controlo e me refreio a todo instante.
Tenho vontade de gritar. Tenho vontade de dar uns socos por aí.
De sair pra rua pra dizer que já não sei ser igual, mas que
não sei o quanto por mim sou melhor...
Ainda bem!
Ufa! Desabafo pra ser nenhum,
num diário escondido entre páginas públicas que ninguém lê!
Deus, é Pai de todo o tempo! Então me ensina a não buscar meu tempo, meu centro, minhas vontades, me ensina a não querer minhas coisas ou meus projetos,
me ajuda a estabelecer metas e correr atrás daquilo que for Teu.
Não sei mais ser, nem quero! Graças a Deus!

terça-feira, maio 26, 2009

Um tormento em vista? Não. Um tormento ultrapassado!

Deus meu, ajuda não desanimar!
Socorro Pai! Por vezes o coração teima em suprimir a razão, e cansa tanto Pai...
Não quero saber dessa voz embargada,
da garganta cansada de travar.
Por vezes penso na tal cumbuca, e acho que não devo me preocupar.
Mas agora num vago momento,
vazio espaço de tempo, esquecido no nada,
tento não lembrar...
Mato minha carne Senhor, ajuda por favor a conseguir plenamente!
Ajuda a não ter na memória nada que possa desanimar ou desviar o foco.
Me esforço, mas sei que sozinha não posso,
me mato sem saber o que e como fazer...
Vejo o que não quero, e o que nem procuro aparece em minha frente,
assim na tela de repente, de coisas que eu preferia não saber.
Conhecimentos que eu preferia não adquirir,
e não se trata de uma explosiva exposição de cenas explícitas,
mas novidades e observações de pessoas que eu preferia
não ter tido a desonra de conhecer.
E não por que sejam más, ou indignas de mim, pois nada sou.
Mas por que tecem teias pra aprisionar aos que rodeiam,
e levá-los pra longe de Tua direção.
E, sendo assim, me entristecem e as teias tecidas
peço pra não possam a ser nenhum envolver...
De que adianta amadurecer,
de que adianta tantas coisas q me vêm a mente se meu foco sumir?
Não importa o que penso, ou sou,
mas como devo ser pra Ti!
Por favor me ensina um pouco mais
a esquecer essa terra sem lei.
Esse universo equivocado presente em cada corpo.
Coração torpe! Que imbecilidade é essa que me toma depois de tanto tempo?
Não cabe! Não tem propósito em sentir...
Não quero pensar outra vez, não como antes,
não quero ridicularizar atos diante de ações incostantes...
Sofrimento mundano mais ridículo não pode haver.
Pra quê pensar na existência de tantos porquês?
Não quero Pai, não quero!
Quero meu tempo pleno para as Tuas coisas
e que nada mais me impeça de estar na Tua piedosa presença,
diante da caridade e misericórdia que amor nenhum pode oferecer.
Não importa agora Pai,
Pode ser que um arrogante qualquer venha com seu intelecto
querer roubar meu tempo contigo,
pode ser que um esquisito venha tentar tirar meu foco,
pode até ser que o sarcasmo e a ironia me atraiam, e até,
que me façam rir...
mas tudo isso está mto longe da Tua alegria, que não quero perder novamente.
Ajuda e dá forças... pra continuar essa trilha ordenada,
por mais pedregulhenta que seja,
em direção ao único alvo que importa!
Preciso, preciso! E quero mais do que preciso!
Que razão há então pra não ser?
Não há... Logo, que venham os tropeços,
passarei por cima de todos... só pra alcançar
aquela luzinha alí adiante...

quinta-feira, maio 14, 2009

Um lamento? Ou um respiro?

Esperar já basta! Agir vai além das possibilidades???
Saber, buscar...
crer?
Será tão difícil permanecer???
Querer, procurar...
Essas palavras soltas só fazem sentido pra meia dúzia de seres,
mas fazem...



Ai, que enfadonho!
Que triste e que cansaço!
Que lastima essa languidez, essa tortuosa preguiça que repulsa!
Amainar mais por qual razão?
Sei já não ser...
desaprendi a aprender coisas longinquas dos meus propósitos.
Aprendi q reter as informações cabíveis,
a cultivar as promessas sensíveis,
a acreditar nas palavras de um único livro!
A rir e chorar, sem que saibam o motivo,
abraçar e lamentar sem anunciar um veredicto!
Tenho aprendido.
Rido, chorado, feito campanhas,
errado muito, acertado um pouco mais,
mas tenho ido, como precisamos fazer...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Amizade é um amor que não acaba

Será que a amizade pode ser algo tão ruim?
Pq os sentidos desatinam ao pensar nessa possibilidade?
Se essa é a única possibilidade plausível?
Se é a única possibilidade possível?
Qria tornar a ser o que um dia fora...
não dos erros cometidos,
mas dos acertos incontidos
que nunca foram vistos...
Não quero refazer,
espero apenas recomeçar,
não um começo como o antigo,
mas um começo novinho em folha!
Sem sentimentalismos
ou incógnitos mundinhos individuais,
sem relacionamentos carnais...
mas como incomoda não ter nada...
como escrevi um dia,
seria utópico demais o fim antes do início,
mas o fim de nada é ainda pior.

Sejamos então como ainda não fomos.
Sejamos sem ser, sem sentidos doridos.
Sejamos sem mágoa, sem lembranças e sem resquícios.
Sejamos somente, por que hj nada somos.

Nada além de uma tentativa bucólica e banal
de ser novamente o que não se foi um dia.
Seria possível?
como diz o poeta:
qm quer passar além do borjador
tem que passar além da dor.
Suporto não suportar só,
pois só já não estou.
Descobri realmente e tenho descoberto a cada dia
que Algo; não. Alguém
é mais importante infinitamente
que alguém ou que ninguém.
Uma odisséia.
Nos traços parnasianos que não me cabem.
Sei que errei tanto, aprontei tanto,
mas já chorei tanto,
que mágoas teriam submergido.
As minhas já vieram e voltaram tantas vezes.
E, em tantas já naufragaram.
Não importa a distância.
Mesmo que distante,
se se sente um ruborizar na face,
um estremecer das extremidades,
que perfídia tão cruel eu sinto a cada dia,
sem mais nada poder fazer, ou questionar.
Entretanto, aleivosia ou deslealdade,
o nome que se dê tanto faz...
quando se sente não importa se faz par,
a dupla não necessita entrelaçar
para saber que sente junto.
Pois embora outros beijos e outros desejos
já percorreram por teu corpo
o sentimento que fala por teu gosto,
aloja em ti meu abrigo,
mas ainda que não queira,
ainda que não sinta,
sempre há tempo de recomeçar,
infinitas vezes, de formas diferentes.
Amigo. Amizade é um amor que não acaba.
Me disponho,me encasulo, aceito.
Esqueço e peço Àquele,
que somente cuide desse ser,
que se enxerga tão auto-suficiente
nesse mundo fora da Tua casa.
Cuida pra que não caia,
cuida pra que Renove o Teu Espírito
a cada manhã q resplandece.
Pois a certeza que me rodeia,
é que a Tua misericórdia sempre prevalece.

Colcha de não retalhos

Não quero publicar minha vida,
mas relatos de espaços quadrados,
de retalhos que possam ser costurados.

Não adianta ter por base a perfeição,
se nela a teoria reina, mas a verdade inexiste.
Não adianta querer abarcar o mundo todo,
se nem as próprias redondezas alcança.

Não basta margear o impenetrável,
tem que se buscar uma fenda.
Não cabe alfinetar uma emenda,
se os remendos não seguram.

Não se toca a alfaia sem conhecer o ritmo,
não se bate no compasso cadenciado sem querer.
Não se marca com um tic o erro,
nem se ensina a errar.

Somos errantes naturais,
pecadores de nascimento.
Somos insignificantes incógnitos,
diante da dimensão do Todo!

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Lugar é nenhum se não é o lugar correto

Me coloco na brecha, como flecha que desafia o mal
Me coloco como alvo para que não sejas atingido,
sofro por consequência de atos impensados, mas
não quero que passe por isso. Não mais.
Não me importa se seu destino cruza o meu, na verdade
a verdade importa a mim, mas não cabe descrevê-la,
não mais...
Sou flecha que cega a seta, que rompe o lacre
que não vacila mesmo que tenha uma curva que amedronta.
Os caminhos já estão traçados, as criações originadas,
as vontades desvendadas e a carne, sempre maculada.
Imaculada deve se manter, da dor se proteger,
romper a mágoa e superar a marca.
Desatino do destino sabe Deus quem sabe mais!?
Parecem doces, mas doem, as manchas cegam
deturpam a visão e não acertam.
O doce fica azedo e a marca permanente.
Só a Tua alvura para que o gosto seja de fato,
e não um gosto suposto. Me ajuda a ajudar,
a enxegar o caminho, o lugar...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Não se compra sentimento na banca da esquina

Ninguém sai por aí procurando a pessoa certa na loteria, alguns até tentam nos folhetins e anúncios dos jornais, procurando encontrar o que se quer sem procurar um todo.
Ninguém procura defeitos, mas eles tem que vir na bagagem, por que não há um ser perfeito, mas as falhas aperfeiçoam as pessoas.
Só quero buscar Aquele que pode me ajudar de verdade e ficar distante dos corações humanos que são confusos e enganosos...

Resquício de um pensamento...

Porque será que algumas sensações se manifestam de forma tão inusitada que mal conseguimos supor?
É estranho ao organismo a reação para ações constrangedoras...
Achar mesmo sem fazer, questionar mesmo sem ter, incomodar mesmo sem ser.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

As reações são prosas loucas!

São crônicas? São Mentiras? São fatos?
Que realidade brutal assola de tal forma?
Porque o medo as vezes vem sem avisar?
A insegurança descarta possibilidades
mesmo que o sentido seja o oposto?
Desgosto do afeto, descaso de um agosto,
agouro? Má fé? Mau gosto?
Desdobramentos de um contato tardio,
de um peso sombrio, que afeta!
Não ser mais o que era...
Não saber como chegou a ser,
não ser nada senão uma descoberta.
Uma constante alvura diante da lascívia.
Consciência contígua e congruente.
Que vontade de tê-la por perto,
que vaidade? Que luxo!
Saudade apertada e
abraços consistentes,
nesses devaneios utópicos
de melancolia sanguínea.
Temperamentos vazios
desses coléricos explosivos
e fleumáticos contidos.
Como são extremistas tais temperamentos.
Qual sentido?
Vontade? Desejo?
Acerto? Despejo de sentidos...
e de reações.
Que se manifestam sem cessar.

Crônicas do Amor

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário oshonestos, simpáticos e não fumantes teriam umafila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado em fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiroamor acontece por empatia, por magnetismo, porconjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã doCaetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pelapaz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidadeque se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante.Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores queela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela temalergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta oAno Novo, nem no ódio vocês combinam.Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, obeijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e elaadoraimplicar com você.Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste oprimeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nosempregos, estásempre duro, e é meio galinha.Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você nãoconsegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele tocagaita na boca, adora animais e escreve poemas.Por que você ama este cara?Não pergunte pra mim.Você é inteligente. Lê livros,revistas,jornais. Gosta dos filmes dosirmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia românticatambém tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial dexampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar.Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, demúsica, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.Como um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas umaequação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta aoSPC.Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas ebons pais de família, ta assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!Pense nisso". Arnaldo Jabor

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Senhor dos senhores...
guarda o coração alheio
para que não sinta dor,
guarda o meu para que não o sufoque,
Sente o pulsar desenfreado,
sonha, chora, sofre,
dobra os joelhos e pede
por mais um instante.
Olhai Pai pra que não sofra!!!