Saber que o tempo é implacável, que brincar de casinha não é vida real e que na real tudo é bem diferente
Pensar que o tempo muda tudo, mas que não cura de verdade só faz abrandar o sentimento, que fica guardado lá no fundo.
Ter a certeza de que a fuga, a afronta ou a negação são opções, mas simplesmente ver tudo escorrer por entre os dedos.
É tempo senhoras e senhores de se perder na própria realidade e se entupir de dores!
Talvez tenhamos sido usurpados de nós por uns instantes, ou talvez tudo tenha virado pó num só rompante.
Um olhar cruzado basta pra saber que está lá, tudo que outrora estivera com fervor, mas e agora?
Agora tudo está tão diferente e tão distante, tão somente e tão calmante que tudo parece uma explosão.
O controverso, o lúdico e o inesperado, trazem uma única certeza: NADA VAI MUDAR!
A loucura e a utopia trazem consigo sentido, castigo, medo.
Nunca saberemos quem somos fugindo assim de nós mesmos, nunca saberemos o que somos formando a figura fugaz do secreto.
Um estupor, funéreo, uma sagacidade bandida que assola a rotina do desespero, lá fora o desejo, aqui o receio de não ser.
Efêmero, singelo, cúmplice que outrora tivera, mas hoje chama-se distância.
O amor transformado a fatos de cacos caídos sem ternura, com muitas rusgas e rugas e muita cola pra tudo se encaixar de alguma forma.
Não funciona, tudo numa transferência pra única decência que capta com doçura minha essência, que espanta os fantasmas e traz a face o sorriso com a transferência do que se havia perdido.
A infância leve, sutil e cheia de vida que me toma, parece fazer tudo o mais valer a pena, o mais ou o nada, que na medida do possível avança.
Sobra apenas o que não foi, como não foi. Sua loucura se encaixa, sua singularidade me convém, mas não convém, não convém...
Parecem palavras soltas ao vento, mas a noite me engole num só golpe e madrugada a dentro apenas desejo ver o sorriso que me faz esquecer tudo o que poderia haver de momentânea ou permanentemente errado em meu peito, meu filho. Sossego enfim...