sábado, agosto 22, 2009

Porfiar e perder

Lúgubre,
fúnebre fuga da insatisfação.
Aquieta a sobriedade inata.
Inquietante tormenta nefasta.
Sobreveio sobre as cortinas a luz,
da escuridão os tropeços de um caminho.
Arremedo de situação mal consumada.
Quão insustentável é a leveza do sentido?
Parece não haver rancor, mas há.
Parece não haver dor, mas dói.
Parece não padecer desse saudosismo inútil... mas padece.
A futilidade se estabelece no limite. Limitrófe, fim de linha.
Acontece.
Retomada a sensatez, rios me saem dos olhos,
entoam clamores desnecessários...
Erros, acertos, tudo tão tênue na linha da perdição.
Clamores não são necessários? Qual perfídia destina tal ação?
Só Deus ouvirá essa prece. Cabe ao Pai julgar.
Só Ele perdoará meus desconsertos. Qual mortal é menos pecador?
Não se medem os pecados, não há distinção neles... pecado é pecado. E ponto.
O olhar condena, a língua mata. Ações celebram desavenças,
e o mais?
Sobram as rebarbas porfiadas de uma batalha perdida.
E a misecórdia nascida de mais um alvorecer.
Aurora traz a rubrosidade impercebida,
a alva manhã mal resolvida, numa solução que não nos cabe.
Impercepção da solução, num resolver sem nossas mãos.
Influências desfeitas, acusações insuspeitas, futricar fatigante
de firulas maldizentes.
Solstício insólito de razão?
Onde andará a plenitude?
Por qual razão oras contemplo, oras não?
Desafeto. Decepção. Razão mal resolvida de um adeus não dito.
Porfiar e perder. Eis o lema do que se esconde.

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